Make your own free website on Tripod.com
PARCREW

Home

oque é hiphop
Graffitis
Bombs
Rap
4-elementos do hiphop
grupos
letras
2-pac
links de sites hiphop
zumbi o criador do hiphop
zumbi o criador do hiphop

_____o rey do hiphop_____

Filho imortal de Olissassa

Diviol Rufino



Zumbi entrou para
a história como defensor
da liberdade de seu povo
e da dignidade de sua cultura.

Estamos no século XVII. Adentremos a Mata Atlântica até perto da cidade de Porto Calvo. Chegamos ao Quilombo dos Palmares, "Angola Janga", que se encontrava na mesma região de "Andalaquituch", de "Dambrabanga", de "Subupira", ou seja, no sopé da Serra da Barriga. Estamos diante do ápice da agitação de uma batalha: mortos, feridos e muita correria. Uma figura forte, ágil e contagiante destaca-se no meio da multidão desesperada. É Zumbi. Liderava a resistência como alguém que estava pronto a dar a vida pelo próprio ideal.
Zumbi dos Palmares. Oriundo do grupo étnico Gege-Nagô. Os negros davam ao seu nome - originário do Ewe-Fon, dialeto do Dahomé e de Togo - vários significados: imortal, morto-vivo, fantasma, guerreiro da casa, filho do Grande Gu, deus do fogo, da guerra e da agricultura, imortal filho de Olissassa ou Oduduwa. Esse nome era, para centenas de escravos fugidos que formavam aquela comunidade de resistência contra a escravidão, um símbolo da liberdade.

Depois de várias tentativas frustradas de vida em liberdade, os negros só conseguiram criar uma comunidade autônoma, livre dos ditames da sociedade escravista, em 1630 - período em que os holandeses, liderados por Maurício de Nassau, ocuparam Pernambuco - sob a orientação de Zumbi e dos membros do Conselho Supremo dos Palmares. Revivendo as tradições africanas, o Conselho era formado por generais (destacando-se entre esses o corajoso e audaz Bambuza), por anciões, sacerdotes (como o grande e sábio Bambushé, proveniente de Dahomé e de origem Yorubá), príncipes como Dotsum (um dos filhos de Zumbi) e princesas como Dandará, oriunda do Togo.

Escravos fugidos em massa na mata do cerrado, na margem esquerda do rio Gurunguba no atual Estado de Alagoas, formavam um verdadeiro "Estado Negro" encravado no Brasil escravista. Muitos outros movimentos de resistência surgiram, mas Palmares foi o mais duradouro e importante na história do Brasil.

A resistência dos Palmares durou quase oitenta anos e isso era suficiente para que a Coroa quisesse esmagá-lo. Sem nenhum sucesso, várias expedições foram organizadas contra o quilombo. Mas com a chegada da expedição comandada por Domingos Jorge Velho, bandeirante que se tornara conhecido por capturar escravos fugitivos, o Quilombo dos Palmares foi completamente devastado.

Em fevereiro de 1694, após quarenta e dois dias de luta, Palmares não conseguiu mais resistir. Duzentos homens morreram. Outros duzentos pereceram ao caírem de um precipício, e quinhentos foram capturados e vendidos.

Com diversos outros quilombolas, Zumbi conseguiu fugir, sendo capturado no dia 20 de novembro de 1695. Foi executado e sua cabeça foi exposta em local público como uma terrível sentença: os escravos devem sempre obedecer e não desafiar o sistema escravista.

Em inúmeras ocasiões, Palmares impôs derrotas humilhantes aos fazendeiros escravistas e a seus colaboradores. Os líderes do quilombo recusaram-se a negociar com os poderosos da Colônia, apesar do traiçoeiro acordo de Recife, firmado pelo governador Aires de Sousa e Castro, em 1678, com Gangazumba, líder palmarino proveniente de Angola. A proposta de paz, elaborada pelo ex-governador Pedro de Almeida, exigia a transferência dos quilombolas para a área de Cucaú e, em troca, oferecia a alforria para os negros nascidos em Palmares, a concessão de terras, a garantia de poderem comercializar com os moradores circunvizinhos e o foro de vassalos da Coroa. Tudo uma farsa ! Ao invés de vassalos da coroa, receberam a condição de "servidão perpétua".

No Brasil, o negro foi por séculos a mão-de-obra que produziu a riqueza desta nação, sem tirar nenhum proveito desse fato: nenhuma herança, nenhum patrimônio. Em formas modernas de exclusão social, essa parece ser ainda a sina dos descendentes africanos. A duras penas ganham o pão, amontoados nas novas senzalas do preconceito e da falta de opções para uma vida digna.

Por isso o exemplo de resistência de Zumbi continua atual. Ele já entrou para a história como defensor da liberdade de seu povo e da dignidade de sua cultura. Este seu sonho de liberdade ecoa ainda no coração do Brasil como um desafio: a construção de uma sociedade nova na qual brancos e negros, índios e mestiços, amarelos e mulatos se integrem e possam trabalhar juntos em prol de um mundo justo e sem nenhum tipo de escravidão